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Sávio Ximenes Hackradt

16.11.12

Cerca de 30% das crianças são obesas ou estão acima do peso no Brasil. Em entrevista à Rádio Brasil Atual, a diretora do documentário 'Muito Além do Peso', Estela Renner, falou sobre o intuito do filme de mostrar aos pais os males que grande parte de produtos industrializados faz à saúde das crianças.

Por Marilu Cabañas, na Rede Brasil Atual 

A pré-estreia do documentário foi no último domingo (12) no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Sua primeira exibição foi na 36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme entrará em cartaz amanhã (16) nos cinemas. Com produção da Maria Farinha Filmes e o patrocínio do Instituto Alana, que atua na criação de políticas públicas em defesa da infância, o filme discute o problema da obesidade infantil e os fatores que contribuem para o problema do sobrepeso.

Marilu Cabañas: Como foi fazer esse filme? Vimos várias comparações de salgadinhos com o óleo que contém, de refrigerante com o açúcar. Os dados sobre as quantidades são assustadores.
Estela Renner: Sim, e o mais incrível é que eles estão todos nos rótulos dos produtos. De vez em quando fica difícil de entender, então acho que o filme é uma tentativa de decodificar uma informação que já existe no rótulo dos produtos. Não deixa de ser um serviço para os pais, para que eles consigam entender o que eles estão comprando para seus filhos.

Marilu Cabañas: O que te levou a fazer esse filme? Qual era sua preocupação, o que te impulsionou?
ER:A minha preocupação, junto com a minha produtora Maria Farinha Filmes e o Marcos Nisti, o produtor executivo do filme, é fazer filmes de cunho social que são muito ligados à defesa da criança. A partir do momento que não são 10% ou 20%, mas 30% das crianças brasileiras que estão acima do peso, pensamos que a causa merecia uma ferramenta audiovisual para ajudar a ampliar esse debate.

Marilu Cabañas:A gente vê até um barco da Nestlé chegando nos rincões do Amazonas. Aí vemos até onde vai a publicidade, também agindo na modificação dos costumes alimentares de um povo.
ER:É. Para mim tem uma questão difícil de entender nesse ponto. Tem o leite em pó, depois tem o composto lácteo que chega para as famílias de uma forma que parece que é leite, mas tem em sua fórmula xarope de glicose, que todos os especialistas sabem que é açúcar. Então acho que fica difícil para as mães decodificarem que ali tem uma quantidade de açúcar que vai acostumar seu filho a um paladar açucarado. É uma questão complicada as barcas chegarem com todos estes tipos de alimento, antes da informação e da educação para estas questões.

Marilu Cabañas: Um dos personagens mais marcantes do filme é a menininha, especificamente a cena em que você pergunta “o que te falta?”, e ela responde “falta sentido”. Esse filme vai além da questão do consumo. O que está faltando?
ER: Falta a gente voltar a ser. Porque por enquanto só se valoriza o ter. Houve aí uma quebra de paradigma há anos e a gente precisa voltar a ser menos embalado. E valorizar o que está por dentro, não dá mais para sermos o que temos a nossa volta. Não é o carro que a gente dirige, não é a marca que a gente veste. Estes valores, principalmente no que diz respeito à criança, não são justos.

Marilu Cabañas: O Instituto Alana sempre está defendendo a proibição da publicidade infantil. O filme vem reforçar essa ideia?
ER: Sim, porque a criança é vulnerável. Até os 12 anos ela não vai formar uma opinião, ela não é equipada para fazer suas escolhas. Os pais são, ou deveriam ser. Então a publicidade, no mínimo, deveria passar pelos pais. “Compre para o seu filho”, aí sim. Porque se falam diretamente com as crianças a autoridade dos pais é ultrapassada. Se a responsabilidade de educar é do pai, porque tem estranhos falando com os filhos?

Marilu Cabañas: Você cita estes estranhos na indústria. Coca-Cola, enfim. Você optou por não ouvir formalmente a indústria. Por quê?
ER: É, porque estamos a ouvindo o tempo todo. O rótulo do produto é uma forma de ouvir a indústria, a composição do produto é uma forma de manifestação da indústria. Quando você liga no Serviço de Atendimento ao Consumidor e não te falam a fórmula do produto a indústria também está se manifestando. O que ela quer dizer é “mesmo que você queira saber, eu não vou te dar essa informação”. Então a gente falou com a indústria sim, mas da forma com que ela se apresenta no ambiente. Se a gente fosse falar com o presidente, por exemplo. Ele, por causa do cargo dele, independentemente de ser ou não uma boa pessoa, não poderia responder o que vem à cabeça dele. As respostas têm de passar por um jurídico, por um marketing, por uma comunicação da empresa, e cada um no seu papel, com muita competência, não questiono isso. Mas isso faz com que, dentro de um documentário, a informação se afaste da verdade, em vez de se aproximar. Por isso, resolvemos pegar os rótulos que estavam em nossas prateleiras e decodificá-los.

Marilu Cabañas: Achei muito interessante a reação de dois irmãos quando vocês explicam todas as informações e dados sobre os produtos. O hábito muda depois que as pessoas obtém as informações.
ER: Sim. Educação é tudo. Educação traz civilização, traz uma nova forma de pensar, traz autoestima e tem de ser dada desde a primeira infância. Os pais tem de buscar educação para seus filhos, ninguém pode desistir de educação. 

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